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Mesa 9
Enviado por roberta goldfarb em 16/07/2010 às 06:53 PM


Era uma segunda-feira, talvez terça-feira (ou domingo, que diferença faz numa viagem como esta, como disse meu amigo Marcelo em seu blog). Tínhamos chegado em Ubud fazia um dia. Ubud fica no centro de Bali, uma pequena e charmosa vila arborizada, cheia de restaurantes, galerias de arte e gente passeando pelas ruas. Como é época de Copa do Mundo escolhemos especialmente um hotel que tem TV no quarto, já que os jogos aqui passam às 9PM e 2:30AM. O Guto não podia perder e eu não podia pensar em levantar da cama às 2:30AM e ficar em um bar até 4AM...

Após o check-in no hotel descobrimos que o canal da Copa não pegava! A TV só passava os canais a cabo, precisávamos da antena local. Perguntamos a um moço muito simpático do hotel qual a possibilidade de instalar uma antena, quanto custava, onde vendia. Ele se prontificou a fazer tudo por nós.

Enquanto isso, precisávamos ver o jogo daquele dia (Portugal X Coréia do Norte) e andando na rua principal, onde ficava nosso hotel, encontramos um restaurante agradável com uma TV boa. Melhor impossível, entramos. Na parte de baixo do restaurante passava um jogo, na de cima o outro que queríamos ver. Subimos, sentamos na primeira mesa em frente a TV. O restaurante lotou e o jogo começou.

Depois de dois minutos, um homem sobe as escadas com pressa pelo mesmo motivo que estávamos lá. Vendo as mesas lotadas nos pergunta se pode sentar conosco.

Com seus cabelos grisalhos, mas longe de ser um senhor, ele vestia uma roupa descontraída, mas muito bem vestido. Camisa de manga curta e bermuda social, com um jeito bem simpático e comunicativo pedia em “bahasa” (a língua local) o que parecia ser sua refeição.

O jogo ia acontecendo e nós nos conhecendo. O papo começou com comentários sobre os passes, uns “ooohhh” nos erros de gol e daí por diante um “de onde vocês são?”, Brasil, “e você?”, Dinamarca, “o que fazem aqui?” estamos dando a Volta ao Mundo... algumas horas falando do assunto, antes da nossa pergunta “e você?”.

Jorgen é uma dessas peças raras que se encontra na vida porque naquela hora, naquele dia, sentamos naquela mesa e por acaso o restaurante estava lotado e por algum motivo ele sentou na nossa mesa e isso fez nossos dias mudarem de figura, nossas horas de jogos terem divertimento e, nós aumentarmos nossa “família do mundo”.

Difícil explicar quem é Jorgen, primeiro uma pessoa que se encantou com nosso projeto de viagem e, que a cada resposta sobre suas curiosidades de como é estar viajando 10 meses, ele soltava “Nooo!?!? It’s fantastic!!!”. E queria saber mais e mais de tudo o que podia, como alguém mais maduro que já viveu muita coisa e fica admirado quando dois jovens (se é que ainda posso nos chamar de jovens) tem a visão de programar a vida de tal maneira que possa realizar alguns sonhos que se tornam impossíveis depois de começar a ampliar a família, frase dele.

Uma noite encantadora. A cada minuto que Jorgen contava suas histórias numa mistura de curiosidade pela nossa, seu jeito envolvente de narrar os fatos vez ou outra levantando da cadeira para encenar o que contava, soltando umas deliciosas risadas e mudando seu timbre de voz ora por emoção ora para imitar uma pessoa, fez daquele simples jantar para ver o jogo no restaurante Baby Face um evento que durou além jogo.

O restaurante quase fechando e nós ali, naqueles momentos únicos da vida. Em dado momento perguntamos aonde ele veria o próximo jogo “Same table? Same time? Baby Face?”. Daquele momento em diante víamos os jogos das 9PM com ele e o da madrugada no hotel com a super antena que nos deu uma imagem perfeita!

Da segunda vez que chegamos lá para encontrá-lo a mesma mesa 9 estava reservada para nós. Ele confirmou: “reservei aquele dia mesmo, não queria correr o risco de perdermos a mesa”. E assim nossos encontros para ver os jogos, sempre com a mesa reservada, se tornaram uma pequena e deliciosa rotina para encontrar um novo amigo. Era uma delícia chegar no Baby Face e sempre já avistá-lo lá na nossa mesa nos esperando, por mais que chegássemos meia hora antes, lá estava ele. Não vou dizer que é uma pontualidade britânica senão ele me mata!

Nenhuma vez foi diferente ainda bem, éramos recebidos com um carinhoso “Hi you two good brazilian people”, seguido de risadas, histórias fantásticas, cada dia um pouco mais das nossas vidas se abria e a conversa ficava mais gostosa.

Jorgen é da Dinamarca, de onde vem a família do Guto. Está disposto a ajudar a encontrar os registros dos antepassados dos “master Philippsens”. Nós no Brasil, esperamos um dia receber essa deliciosa companhia em outra mesa, outro restaurante, mas sempre em boa hora!


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